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Archive for October, 2009

São nove e dez da noite e eu estou sentada na lancheria que fica exatamente na frente da minha van. E na minha direção só que alguns metros dentro do mato eu estou vendo ele. O motorista da minha van me chamou três vezes, eu não olhe. Mas senti os olhos verdes dele atrás dos óculos se ajustarem tentando melhorar o foco em minha direção.

Ele continua igual, não mudou absolutamente nada nesses cinco meses. O mesmo cabelo, um pouco sem corte. A barba esta bem feita, como da última vez que o vi e os modos como se senta continua igual. Mas eu sei, eu sei que na realidade ele não está lá. É mais uma vez a minha imaginação me pregando peças. Me fazendo tremer, um medo misturado com angústia e ansiedade sem nada existir. E a gravidade dele me puxando de volta para o seu lado, me fazendo ver o quanto estou ligada a ele.

São nove e vinte e seis da noite, olhei mais uma vez para lá. O motorista da minha van já não se encontra mais no meu campo de visão. Mas ele continua lá, me olhando do mesmo jeito de antes, como se estivesse me chamando com os olhos. Percebi mais uma vez a dificuldade que tenho pra esquecer, para tirar o seu rosto da minha mente o quanto ele ainda está vivo em mim, seus traços e trejeitos continuam sendo lembrados exatamente igual. Então eu volto ao chão, o buraco ainda está aberto e mais fundo, agora sou eu, o buraco e ele, me olhando sem se mexer nem sorrir.

São nove e trinta e quatro já não o vejo. O mato ficou escuro, assim como a minha visão. Tento ajustar o foco, mas sei que não se tem mais nada o que ver, só uma dor a sentir.

São nove e cinqüenta e três ainda esfrego os olhos, mas não vejo mais nada. Somente a lembrança restou junto com o perfume dele.

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