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Acordei muito pensativa hoje, não que isso não ocorra desde o dia 12 de Janeiro, mas hoje eu me puxei. Tudo roda na minha cabeça, eu imagino, eu quase vejo fatos que não existiram, ou melhor, que ainda não existiram. Não sei se vão se realizar, mas eu rezo, eu imploro pra todos os santos e não santos que isso não ocorra.

Desde ontem, naquela ida ao cinema tudo voltou. Minhas inseguranças estão cada vez mais vivas, não consigo ficar calma. A conversa de hoje à tarde me acalmou um pouco, mas bem pouco, porque ela não conseguiu acalcar o fundo da angustia chegou somente nas beiradas.

O que fazer, pra onde correr, como explicar, o que dizer? O que sinto não acabou e tenho certeza que não acabará, sou apegada demais pra deixar. Nunca fui de seguir o coração ele sempre foi complicado demais. Sou preguiçosa, gosto do fácil, do rápido, do para hoje. Mas dessa vez…. dessa vez não tem jeito. Estou fazendo o que ele pede, estou falando o que ele sente. E por mais que chore de soluçar quando resolvo abri-lo é melhor do que guarda e ficar com o nó na garganta.

Só sei que não vou desistir, não assim, sem lutar. Vai ser complicado, vai ser praticamente impossível, mas será superado da melhor forma possível, eu sei que no fim será o que sempre foi, eu contra eu mesmo tentando matar os meus demônios.

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Vida que segue

Andei um pouco distante de tudo que pensava desde sexta-feira. Queria esquecer os atrasos, os erros, os caminhos que estavam seguindo opostamente. Esquecer um pouco da minha vida, mas hoje já é terça e a realidade volta a bater na porta.

É bem verdade que desde que entrou o ano ando um pouco desgostosa das coisas. Já briguei, já xinguei e já chorei. O que aconteceu? Nada. N, a, d, a – NADA. Tudo ficou parado com a mesma forma que estava antes. Foi inútil jogar a mala em cima da cama e gritar ‘VOU EMBORA’. Eu não fui e nada mudou.

É bem verdade que eu não mudei muito. Não adiantou nada eu quase perder a voz e ficar a beira de uma desidratação por tanto chorar. Eu continuo pensando, sem arrumar soluções, continuo quieta para não haver mais confusões e as que armei foram fogo de palha, queimou, ardeu e terminou.

Somos criados para darmos certo na vida, certo? Nossos pais sempre querem o melhor pra nós (pelo menos os não desnaturados). Mas por um acaso já tentaram sair da linha deles? Aquela que eles criam quando a gente nasce e querem que a gente continue nela pro resto da vida. Bom, muitos entenderam que os filhos precisavam crescer (creio eu), mas só depois de alguma briga. Pois nenhum, eu disse nenhum, pai ou mãe aceita de cara que perdeu o controle da situação. Conheço pessoas que disseram que os pais param de falar com elas por quatro, cinco meses. E ai eu me pergunto, mas sair da linha não é normal? Eu acho completamente normal. Todos saem, todos nós precisamos sair. Mas por que essa resistência inicial?

Bom, aqui em casa não foi diferente, alias, não está sendo diferente. Minhas mudanças estão um pouco estagnadas, já que as que ocorreram não foram muito bem aceitas, mas eu não vou parar. Por enquanto sigo a vida, procurando rastro que provem que as minhas certezas são realmente certas. Quem sabe depois de um ano de muitos pensamentos vagos e de algumas certezas concretas a minha mala não para em cima da cama de novo e depois dentro do porta malas de algum carro que me levando pra um destino novo? Cada um tem a sua vida e me orgulho em não ser parecida com meus pais, pois sei que eles também não foram parecidos com os pais deles, que por sua vez não eram parecidos com os meus bisavós, sabe por quê? Porque cada um escreveu a sua própria história, por mais resistência que houvessem encontrado.

“Mis días sin ti son tan oscuros, tan largos, tan grise, tan absurdos, tan agrio y  tan duros…

No último dia 28 de abril tinha resolvido jogar tudo pro alto… Ia esquecer o que nem tinha acontecido, sem ao menos tentar. Mesmo sem saber eu estava certa. Na noite daquele dia sei lá o que aconteceu se foi o vento, os planetas que tomaram um rumo sem sentindo ou a terra que resolveu girar mais devagar depois das 21h.

…Mis días sin ti no tienen noches… Si alguna aparece es inútil dormir son un derroche Las horas no tienen principio ni fin…

Sei lá, só sei que alguém resolveu que ia brincar comigo… Deve ter pensado: “vou fazer essa guria ir contra tudo que ela já disse”. Nunca na vida tinha ido contra a mim mesma, nunca tinha voltado atrás de qualquer decisão que tomava. Mas depois daquele dia eu voltei e volto com muita facilidade.

…Tan faltos de aire, tan llenos de nada…

Aprendi a me entender, a aceitar que se eu brigo, xingo, grito é porque me importo. Que aquela história de “nem tô” não existe enquanto se está brigando. Depois desse dia eu já chorei, já sorri, já impliquei… Aaaaaa, já fiz tanta coisa, coisas que até mesmo já esqueci e outras que ficaram marcadas pra sempre.

…Chatarra inservible, basura en el suelo…

Mas o que eu realmente aprendi foi a sentir falta. A ter necessidade de ver, de estar perto. Nem que seja pra ter um simples abraço. E sem essa de obsessão… é pelo simples apego e carinho. E nesses meses que parecem anos eu aprendi a me importa tanto ou mais com alguém que não sou eu.

…Moscas en la casa!”

“…Não havia nada cobrindo os olhos, era visto por ambos, e no profundo sentimento, que teria que esquecer mesmo não querendo.
Impossível voltar a fantasiar por mais que fosse do teu cotidiano, e era assim mesmo como se comportava, já não havia como mudar…”

Simplesmente a calculista esbarrou em algo emotivo e impulsivo. Isso lhe fez pensar mais uma vez na realidade que a assombrava, que a fazia calcular seus passo milimetricamente.

“…não havia nada cobrindo os olhos…”

Eles estavam frente a frente. Não teriam mais como mentir um para o outro. A verdade estava claramente dita, sem esboçar uma vogal. E a vontade não precisava ser comentada, estava nos olhos. Esses, que por fim, estavam abertos mirando uns aos outros. Sem mascaras, sem contratos, sem guias. Eram somente os dois pares de olhos, enfim se enxergando.

“…Impossível voltar a fantasiar…”

As emoções estavam fluindo no corpo de uma pessoa calculista. Quando deu por si, já estava entregue as emoções de uma pessoa impulsiva. O mundo começou a girar como nunca antes visto e sentindo. Era pra isso que ele ia servir? Mas algo os prendia, os amarravam. Nada passava de miradas estrategicamente planejadas foi então que viu que o seu mundo de emoção não existia. Ele era mais jogador que ela, e ela não aceitava perder.

“…E tristemente, admitiu que não foram feitos um para o outro…”

Eu nunca fui à garotinha que ganhava tudo na escola. Eu não ganhava o concurso de mais bonita, nem de mais simpática quem dirá de rainha do colégio. E com isso a minha vida escolar não foi as das mais agitadas. Os garotos mais bonitos não olhavam pra mim, quer dizer, olhavam….  pra pedir licença pra passar, isso quando pediam. Mas sinceramente? Não me afetou muito.

Bom, claro que os garotos que eram afim de mim nunca eram os bonitos. Lógico que sempre tinha um alto, loiro de olho azul, mas podia ter certeza que tinha a cara lotada de espinhas e era problemático.  Não que eu não fosse problemática, claro que eu era. Eu era apaixonada pelo guri mais popular da escola. Eu babava nele o tempo todo. Era ele mexer no cabelo que eu me derretia. Com certeza eu tinha sérios problemas, eu achava lindo ele suado depois de jogar futebol. Problemática, fato!

Mas sabe aquelas garotas bonitinhas que ganhavam tudo? Bom, hoje uma ta casada e com filho, detalhe ela tem a minha idade, 22 anos. A outra mexeu no nariz, mas o pó continua aparecendo na ponta dele, sempre que ela sai do banheiro de alguma festa.  A vida foi um pouco cruel com elas e eles, no meu ponto de vista. O garoto que eu fui apaixonada, por exemplo, hoje não faz nada além de ser subordinado do pai. Ok, isso é bom? Pra mim não é…. meu pai podia ser um milionário, mas eu ia querer fazer algo por mim. Estudar, correr atrás de emprego, comprar uma casa com o meu suor. Se isso não acontecer, tudo bem, pelo menos eu tentei. Mas eu nunca ia conseguir ser subordinada do meu pai pro resto da vida.

As gurias eu não preciso nem dizer muito, né?! Conseguiram pegar um sapo na seca e o conto de fadas acabou. A carruagem virou abobora, o sapatinho de cristal quebrou, e o lindo vestido azul virou um vestidinho de algodão todo sujo de leite de criança. Não sei vocês, mas pra mim foi bom ser a feinha da escola. Antes eu não escutava que eu era bonita, isso serviu pra eu tentar melhoras, e hoje até os gays me chamam de bonita (não que eu seja, mas né?! É bom pro ego). Antes eu não ficava com os guris que eu queria, hoje continuo não conseguindo ficar com todos que eu quero, mas com os que eu fiquei me fizeram perceber que os outros….  bom, os outros não me mereciam. Aprendi a me dar valor a escolher amizades sinceras. Nunca precisei pegar um sapo pra conseguir manter a minha fama. E não tem nada melhor do que não ter fama.

São nove e dez da noite e eu estou sentada na lancheria que fica exatamente na frente da minha van. E na minha direção só que alguns metros dentro do mato eu estou vendo ele. O motorista da minha van me chamou três vezes, eu não olhe. Mas senti os olhos verdes dele atrás dos óculos se ajustarem tentando melhorar o foco em minha direção.

Ele continua igual, não mudou absolutamente nada nesses cinco meses. O mesmo cabelo, um pouco sem corte. A barba esta bem feita, como da última vez que o vi e os modos como se senta continua igual. Mas eu sei, eu sei que na realidade ele não está lá. É mais uma vez a minha imaginação me pregando peças. Me fazendo tremer, um medo misturado com angústia e ansiedade sem nada existir. E a gravidade dele me puxando de volta para o seu lado, me fazendo ver o quanto estou ligada a ele.

São nove e vinte e seis da noite, olhei mais uma vez para lá. O motorista da minha van já não se encontra mais no meu campo de visão. Mas ele continua lá, me olhando do mesmo jeito de antes, como se estivesse me chamando com os olhos. Percebi mais uma vez a dificuldade que tenho pra esquecer, para tirar o seu rosto da minha mente o quanto ele ainda está vivo em mim, seus traços e trejeitos continuam sendo lembrados exatamente igual. Então eu volto ao chão, o buraco ainda está aberto e mais fundo, agora sou eu, o buraco e ele, me olhando sem se mexer nem sorrir.

São nove e trinta e quatro já não o vejo. O mato ficou escuro, assim como a minha visão. Tento ajustar o foco, mas sei que não se tem mais nada o que ver, só uma dor a sentir.

São nove e cinqüenta e três ainda esfrego os olhos, mas não vejo mais nada. Somente a lembrança restou junto com o perfume dele.

Homens no shopping

Nunca fui muito de reparar no comportamento masculino nos shopping, mas hoje me dei ao luxo. Quer dizer, tive que fazer comprar e por conseqüência tive que esperar a minha mãe chegar com o carro. Ok, fato esse pouco interessante, vamos volta para os homens.

Após as comprar me sentei em um dos bancos (aqueles que ficam no meio do shopping) para esperar e comecei a reparar nos homens que ali passavam em grupos. Tanto novos quanto velhos faziam a mesma coisa. Veja bem, sem pudor algum, falavam em voz alta e com ares de machões em busca da vitima perfeita. (Ok, exagerei, mas bem pouquinho)

Ao longo de cinco minutos reparei em dois rapazes que passavam. Bem vestidos com cara de moços de família. Vieram cochichando algo que de longe não se dava para saber ao certo o que era, até se aproximarem.

Ta vendo aquela d’ali? Aquela, de calça preta… – dizia um deles
Sei, sei…. é realmente é. – dizia o outro olhando descaradamente para dentro da loja.

Eles foram simpáticos até, porque me forcei a olhar para a loja e a guria estava de costas para a vitrine. Sim, caras amigas… era uma atendente. Nada contra elas, são mulheres do mesmo nível que nós, mas por favor?! Vamos deixar as gurias trabalhar em paz, ou vocês ainda acreditam que eles não passam lá todos os dias para ver a tal garota? Acreditam ainda que ela não viu que eles fazem isso? E que as amigas não tiraram com a cara dela? Ok, se acreditam não precisam mais lê.

Depois deles vieram mais quadros ou cinco não sei ao certo, caminhando e falando alto algumas coisas relacionadas ao trabalho. Foi quando então um senhor (sim, senhor com mais de 40 anos) que estava indo na frente faz uma parada brusca na frente da porta da loja e grita voltando pra trás.

Ohhh Matheus, Matheus, olha lá, bah….(nesse momento ele cochichou algo inaudível para o tal Matheus. Que por sua vez respondeu.
Fliiiiiiiiiiiiiiii – aquele barulho que fazemos quando abrimos mal, mal a boca e puxamos o ar junto com a saliva. Sim, aquele barulho que geralmente pedreiro faz quando tu passas na frente de uma obra antes de soltar um “Oh, gostosa”.

Podem me chamar de ingênua, mas nunca imaginei que homens que aparentam ter “classe” seriam uns pedreiros após o almoço olhando as atendentes de loja. É no fundo, no fundo, todo homem é um pedreiro nojento. E ai eu me pergunto, por que diabos nós procuramos tanto???