Andei um pouco distante de tudo que pensava desde sexta-feira. Queria esquecer os atrasos, os erros, os caminhos que estavam seguindo opostamente. Esquecer um pouco da minha vida, mas hoje já é terça e a realidade volta a bater na porta.
É bem verdade que desde que entrou o ano ando um pouco desgostosa das coisas. Já briguei, já xinguei e já chorei. O que aconteceu? Nada. N, a, d, a – NADA. Tudo ficou parado com a mesma forma que estava antes. Foi inútil jogar a mala em cima da cama e gritar ‘VOU EMBORA’. Eu não fui e nada mudou.
É bem verdade que eu não mudei muito. Não adiantou nada eu quase perder a voz e ficar a beira de uma desidratação por tanto chorar. Eu continuo pensando, sem arrumar soluções, continuo quieta para não haver mais confusões e as que armei foram fogo de palha, queimou, ardeu e terminou.
Somos criados para darmos certo na vida, certo? Nossos pais sempre querem o melhor pra nós (pelo menos os não desnaturados). Mas por um acaso já tentaram sair da linha deles? Aquela que eles criam quando a gente nasce e querem que a gente continue nela pro resto da vida. Bom, muitos entenderam que os filhos precisavam crescer (creio eu), mas só depois de alguma briga. Pois nenhum, eu disse nenhum, pai ou mãe aceita de cara que perdeu o controle da situação. Conheço pessoas que disseram que os pais param de falar com elas por quatro, cinco meses. E ai eu me pergunto, mas sair da linha não é normal? Eu acho completamente normal. Todos saem, todos nós precisamos sair. Mas por que essa resistência inicial?
Bom, aqui em casa não foi diferente, alias, não está sendo diferente. Minhas mudanças estão um pouco estagnadas, já que as que ocorreram não foram muito bem aceitas, mas eu não vou parar. Por enquanto sigo a vida, procurando rastro que provem que as minhas certezas são realmente certas. Quem sabe depois de um ano de muitos pensamentos vagos e de algumas certezas concretas a minha mala não para em cima da cama de novo e depois dentro do porta malas de algum carro que me levando pra um destino novo? Cada um tem a sua vida e me orgulho em não ser parecida com meus pais, pois sei que eles também não foram parecidos com os pais deles, que por sua vez não eram parecidos com os meus bisavós, sabe por quê? Porque cada um escreveu a sua própria história, por mais resistência que houvessem encontrado.