Acordei muito pensativa hoje, não que isso não ocorra desde o dia 12 de Janeiro, mas hoje eu me puxei. Tudo roda na minha cabeça, eu imagino, eu quase vejo fatos que não existiram, ou melhor, que ainda não existiram. Não sei se vão se realizar, mas eu rezo, eu imploro pra todos os santos e não santos que isso não ocorra.
Desde ontem, naquela ida ao cinema tudo voltou. Minhas inseguranças estão cada vez mais vivas, não consigo ficar calma. A conversa de hoje à tarde me acalmou um pouco, mas bem pouco, porque ela não conseguiu acalcar o fundo da angustia chegou somente nas beiradas.
O que fazer, pra onde correr, como explicar, o que dizer? O que sinto não acabou e tenho certeza que não acabará, sou apegada demais pra deixar. Nunca fui de seguir o coração ele sempre foi complicado demais. Sou preguiçosa, gosto do fácil, do rápido, do para hoje. Mas dessa vez…. dessa vez não tem jeito. Estou fazendo o que ele pede, estou falando o que ele sente. E por mais que chore de soluçar quando resolvo abri-lo é melhor do que guarda e ficar com o nó na garganta.
Só sei que não vou desistir, não assim, sem lutar. Vai ser complicado, vai ser praticamente impossível, mas será superado da melhor forma possível, eu sei que no fim será o que sempre foi, eu contra eu mesmo tentando matar os meus demônios.




São nove e dez da noite e eu estou sentada na lancheria que fica exatamente na frente da minha van. E na minha direção só que alguns metros dentro do mato eu estou vendo ele. O motorista da minha van me chamou três vezes, eu não olhe. Mas senti os olhos verdes dele atrás dos óculos se ajustarem tentando melhorar o foco em minha direção.
As situações passam e com elas a animação do momento. Tem vezes em que tudo o que queremos é que nada daquilo se repita e tudo seja esquecido, mas há ocasiões em que elas voltam. Nada pode ser totalmente perdido no tempo, nada. O passado volta quando menos esperamos.
Ao olhar para trás vejo uma infância com três cores. Azul, preto e branco, uma infância cheia de mitos e de campeonatos recentes ganhos. Campeonatos esses que nenhum deles vira, mas que enchiam a boca para falar. Geração que só sabia o que acontecera através dos pais e avos. Mas a minha infância, há a minha infância não foi assim. Eu sempre gostei de duas, somente duas cores, vermelho e branco que acabou sendo, então, branca. Pouco movimentada e com poucas esperanças. E cheia de brincadeiras de mau gosto: “hahahaha, macaco que só ganha ruralito”. Foi duro e penoso, mas hoje vejo o quanto valeu à pena.
Laços que o tempo desfiou nunca mais se reestruturam. Amizades que começam de um sorriso sincero perduram. Minha vida sempre foi a de altos e baixos, nasci alta e morrerei baixa. Tenho uma série de felicidades nela, histórias longas e saudáveis, mas tenho também histórias sem fim.