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Eu nunca fui à garotinha que ganhava tudo na escola. Eu não ganhava o concurso de mais bonita, nem de mais simpática quem dirá de rainha do colégio. E com isso a minha vida escolar não foi as das mais agitadas. Os garotos mais bonitos não olhavam pra mim, quer dizer, olhavam….  pra pedir licença pra passar, isso quando pediam. Mas sinceramente? Não me afetou muito.

Bom, claro que os garotos que eram afim de mim nunca eram os bonitos. Lógico que sempre tinha um alto, loiro de olho azul, mas podia ter certeza que tinha a cara lotada de espinhas e era problemático.  Não que eu não fosse problemática, claro que eu era. Eu era apaixonada pelo guri mais popular da escola. Eu babava nele o tempo todo. Era ele mexer no cabelo que eu me derretia. Com certeza eu tinha sérios problemas, eu achava lindo ele suado depois de jogar futebol. Problemática, fato!

Mas sabe aquelas garotas bonitinhas que ganhavam tudo? Bom, hoje uma ta casada e com filho, detalhe ela tem a minha idade, 22 anos. A outra mexeu no nariz, mas o pó continua aparecendo na ponta dele, sempre que ela sai do banheiro de alguma festa.  A vida foi um pouco cruel com elas e eles, no meu ponto de vista. O garoto que eu fui apaixonada, por exemplo, hoje não faz nada além de ser subordinado do pai. Ok, isso é bom? Pra mim não é…. meu pai podia ser um milionário, mas eu ia querer fazer algo por mim. Estudar, correr atrás de emprego, comprar uma casa com o meu suor. Se isso não acontecer, tudo bem, pelo menos eu tentei. Mas eu nunca ia conseguir ser subordinada do meu pai pro resto da vida.

As gurias eu não preciso nem dizer muito, né?! Conseguiram pegar um sapo na seca e o conto de fadas acabou. A carruagem virou abobora, o sapatinho de cristal quebrou, e o lindo vestido azul virou um vestidinho de algodão todo sujo de leite de criança. Não sei vocês, mas pra mim foi bom ser a feinha da escola. Antes eu não escutava que eu era bonita, isso serviu pra eu tentar melhoras, e hoje até os gays me chamam de bonita (não que eu seja, mas né?! É bom pro ego). Antes eu não ficava com os guris que eu queria, hoje continuo não conseguindo ficar com todos que eu quero, mas com os que eu fiquei me fizeram perceber que os outros….  bom, os outros não me mereciam. Aprendi a me dar valor a escolher amizades sinceras. Nunca precisei pegar um sapo pra conseguir manter a minha fama. E não tem nada melhor do que não ter fama.

São nove e dez da noite e eu estou sentada na lancheria que fica exatamente na frente da minha van. E na minha direção só que alguns metros dentro do mato eu estou vendo ele. O motorista da minha van me chamou três vezes, eu não olhe. Mas senti os olhos verdes dele atrás dos óculos se ajustarem tentando melhorar o foco em minha direção.

Ele continua igual, não mudou absolutamente nada nesses cinco meses. O mesmo cabelo, um pouco sem corte. A barba esta bem feita, como da última vez que o vi e os modos como se senta continua igual. Mas eu sei, eu sei que na realidade ele não está lá. É mais uma vez a minha imaginação me pregando peças. Me fazendo tremer, um medo misturado com angústia e ansiedade sem nada existir. E a gravidade dele me puxando de volta para o seu lado, me fazendo ver o quanto estou ligada a ele.

São nove e vinte e seis da noite, olhei mais uma vez para lá. O motorista da minha van já não se encontra mais no meu campo de visão. Mas ele continua lá, me olhando do mesmo jeito de antes, como se estivesse me chamando com os olhos. Percebi mais uma vez a dificuldade que tenho pra esquecer, para tirar o seu rosto da minha mente o quanto ele ainda está vivo em mim, seus traços e trejeitos continuam sendo lembrados exatamente igual. Então eu volto ao chão, o buraco ainda está aberto e mais fundo, agora sou eu, o buraco e ele, me olhando sem se mexer nem sorrir.

São nove e trinta e quatro já não o vejo. O mato ficou escuro, assim como a minha visão. Tento ajustar o foco, mas sei que não se tem mais nada o que ver, só uma dor a sentir.

São nove e cinqüenta e três ainda esfrego os olhos, mas não vejo mais nada. Somente a lembrança restou junto com o perfume dele.

Homens no shopping

Nunca fui muito de reparar no comportamento masculino nos shopping, mas hoje me dei ao luxo. Quer dizer, tive que fazer comprar e por conseqüência tive que esperar a minha mãe chegar com o carro. Ok, fato esse pouco interessante, vamos volta para os homens.

Após as comprar me sentei em um dos bancos (aqueles que ficam no meio do shopping) para esperar e comecei a reparar nos homens que ali passavam em grupos. Tanto novos quanto velhos faziam a mesma coisa. Veja bem, sem pudor algum, falavam em voz alta e com ares de machões em busca da vitima perfeita. (Ok, exagerei, mas bem pouquinho)

Ao longo de cinco minutos reparei em dois rapazes que passavam. Bem vestidos com cara de moços de família. Vieram cochichando algo que de longe não se dava para saber ao certo o que era, até se aproximarem.

- Ta vendo aquela d’ali? Aquela, de calça preta… – dizia um deles
- Sei, sei…. é realmente é. – dizia o outro olhando descaradamente para dentro da loja.

Eles foram simpáticos até, porque me forcei a olhar para a loja e a guria estava de costas para a vitrine. Sim, caras amigas… era uma atendente. Nada contra elas, são mulheres do mesmo nível que nós, mas por favor?! Vamos deixar as gurias trabalhar em paz, ou vocês ainda acreditam que eles não passam lá todos os dias para ver a tal garota? Acreditam ainda que ela não viu que eles fazem isso? E que as amigas não tiraram com a cara dela? Ok, se acreditam não precisam mais lê.

Depois deles vieram mais quadros ou cinco não sei ao certo, caminhando e falando alto algumas coisas relacionadas ao trabalho. Foi quando então um senhor (sim, senhor com mais de 40 anos) que estava indo na frente faz uma parada brusca na frente da porta da loja e grita voltando pra trás.

-Ohhh Matheus, Matheus, olha lá, bah….(nesse momento ele cochichou algo inaudível para o tal Matheus. Que por sua vez respondeu.
- Fliiiiiiiiiiiiiiii – aquele barulho que fazemos quando abrimos mal, mal a boca e puxamos o ar junto com a saliva. Sim, aquele barulho que geralmente pedreiro faz quando tu passas na frente de uma obra antes de soltar um “Oh, gostosa”.

Podem me chamar de ingênua, mas nunca imaginei que homens que aparentam ter “classe” seriam uns pedreiros após o almoço olhando as atendentes de loja. É no fundo, no fundo, todo homem é um pedreiro nojento. E ai eu me pergunto, por que diabos nós procuramos tanto???

guerraAs situações passam e com elas a animação do momento. Tem vezes em que tudo o que queremos é que nada daquilo se repita e tudo seja esquecido, mas há ocasiões em que elas voltam. Nada pode ser totalmente perdido no tempo, nada. O passado volta quando menos esperamos.

Essa é a lei da vida, não é mesmo? É por isso que temos memórias e que ela não pode ser totalmente seletiva, certo? Ok, se for assim porque não me fizeram um animal irracional que não tem memória? Bom, por mesmo eles tem, ta ai o elefante* para comprovar a teoria.

Há pessoas que marcam e conseguem me ganhar. Tudo bem, a grande maioria acha (e tem até como comprovar) que eu sou uma chata sem sentimentos. Que sou durona demais, que não choro e que até mesmo nunca na vida senti algo realmente forte por alguém. Essa pessoas estão certas. Essa minha parte é a mais fácil de ver. É também a mais fácil de sentir. Humor ácido, negro, ironias e todos esses blá, blá, blá que dizem ao meu respeito. Mas poucos realmente sabem como eu sou.

Como diria a minha amiga Ciça no seu texto intitulado “ao pé do ouvido”: “.…..Queria muito aprender, mas não dá. Basta a pessoa contar uma história triste que eu digo senta aqui.” . Se chorar então, deu! Choro junto com a pessoa, ponho no colo, abraço e digo: “Vai passar”. Sou boba mesmo, ou como muitos diriam, trouxa. Acredito muito nas pessoas, muitas vezes não vejo que as pessoas querem me iludir e me passar pra trás. Mas esse meu lado ‘bobinha’ reconheço que são poucas pessoas que conhecem. Já não sou mais nenhuma criança. Além do mais, tenho que manter a minha fama de má e calculista.

Mas é por essas e outras que em algumas tardes de domingo entediantes, aquela historia lá do começo do texto volta. Recordo das pessoas que pela minha vida passaram e de alguma forma marcaram. Mas tem uma…. há essa será difícil de esquecer. Até porque, pelo o que vejo, eu estou sendo difícil de ser esquecida, também. Se não fosse um oceano de orgulho…… mas é melhor com ele existindo e nos separando. Não quero mais ser ‘bobinha’.

* em referência ao ditado popular: Memória de elefante.

inter-100-anosAo olhar para trás vejo uma infância com três cores. Azul, preto e branco, uma infância cheia de mitos e de campeonatos recentes ganhos. Campeonatos esses que nenhum deles vira, mas que enchiam a boca para falar. Geração que só sabia o que acontecera através dos pais e avos. Mas a minha infância, há a minha infância não foi assim. Eu sempre gostei de duas, somente duas cores, vermelho e branco que acabou sendo, então, branca. Pouco movimentada e com poucas esperanças. E cheia de brincadeiras de mau gosto: “hahahaha, macaco que só ganha ruralito”. Foi duro e penoso, mas hoje vejo o quanto valeu à pena.

Não nasci campeã do mudo, mas lutei junto com o meu time para me tornar uma. Se essa geração de três cores nasceu, só tenho a lamentar. Eles não viram e nem sentiram, muito menos rezaram e clamaram a todos os santos por um gol. Nenhum deles chorou e voltou ao passado. Muito menos conseguiram sorrir com lágrimas nos olhos por te ver lá, no primeiro lugar.

Hoje vejo o quanto foi importante aquelas tardes de domingo no Beira-Rio com o meu pai. Chegar lá cedo, escutar a mesma garota que até hoje não sei o nome, perguntando tudo pro seu pai sobre futebol e o melhor, esperar pra te ver entrar em campo. Ahhh se aquelas tardes não tivessem existido, hoje não seria nada. Não poderia dizer que fui e sou uma colorada completa. Foi com elas que eu aprendi a te amar, mesmo sem mereceres o meu amor. Nesse momento posso repetir Luiz Fernando Veríssimo e dizer, se for um sonho, não me acorde.

Chegar aos 100 anos de vida sempre na primeira divisão não é para qualquer clube. É só para um. Aquele que me fez sofre que não me fez nascer campeã do mundo. Exatamente aquele que fez ver Dunga nos salvando da segundona no fizinho do jogo. Ora, o que me importa não ter nascido campeã? Ou ter passado uma infância escutando piadinhas e rezando baixinho? O que me importa mesmo e o presente. Presente que mostra o quanto és forte e o único a ser campeão de tudo. Contigo aprendi que o que não vem com sofrimento não tem valor. Sofri e sofro, mas uma coisa eu tenho certeza, nunca vou lhe abandonar.

Parabéns meu colorado. Que venham mais 100 anos na primeira divisão. Se meu filho não nascer campeão de algum campeonato em Marte, tudo bem. Vou contá-lo a minha história como tua torcedora. E ele verá que sem sofrimento não há Inter. Muito menos esse amor louco, mas puramente verdadeiro.

futuro2Laços que o tempo desfiou nunca mais se reestruturam. Amizades que começam de um sorriso sincero perduram. Minha vida sempre foi a de altos e baixos, nasci alta e morrerei baixa. Tenho uma série de felicidades nela, histórias longas e saudáveis, mas tenho também histórias sem fim.

Meu vicio sempre foi o mesmo, meu mal também. Não sei ser pela metade ou é completamente ou não é. Sou sincera demais, tenho respostas na ponta da língua. Mas o tempo me apresentou alguém que me deixou sem elas. E eu? Bom eu superei esse fato.

Textos confusos só são escritos em momentos de confusão. Esse é mais um pra minha coleção, de textos e confusão. Semana que vem isso passa, ou não. O que importa é que estou escrevendo o meu destino e pertencendo a ele. Não haverá ninguém capaz de me parar, nem de me acelerar. Estou a 80 km/h e não saiu deles por nada.

Meu fim pode ser na próxima curva, mas antes de chegar nela vou admirando a paisagem e sentindo cada músculo do meu corpo. O impossível está na esquina e eu estou indo buscá-lo, já estou sentindo o cheiro e vendo a cor. Só falta esticar a mão e pegar, mas… ah…. vamos com calma, ainda não sei se ele cheira a canela ou cravo. Enquanto você corre, eu sigo no meu passo, no meu autocontrole incontestável.

nove?

fffNovidade é uma palavra vibrante, eu pelo menos a reconheço assim. Tudo que é novo me faz bem, sou realmente a encarnação da descrição das pessoas de número nove. Ok, isso é meio surreal, mas as pessoas de número nove precisam muito mais de novidades do que uma pessoa “normal”.

Sempre estive muito atrás de novidades. De algo que me fizesse vibrar nem que fosse somente por algumas horas. Acredito piamente que seja por isso que faço jornalismo. Preciso do novo como uma criança precisa de leite materno logo que nasce. Sou capricorniana e assumo que às vezes essas novidades me assustam, mas sigo em frente. Se for pra aprender, vamos aprender na prática. Tanto pro lado ruim, quanto pro bom.

Minha vida sempre foi meio normal demais, da escola pra casa, de casa pro curso de inglês ou espanhol. Nunca fui muito “baladeira” acho um saco um pouco essa vida noturna. Gosto da noite, mas não gosto de lugares com muita bagunça e muita gente. Sou discreta odeio pessoas me olhando. Porém, há outra dentro de mim e ela gosta de atenção.

Stacy é um pouco louca demais, se joga demais. E acho que a cada dia que passa ela esta me dominando mais. Não, Stacy não é uma puta, mas também não é pacata como a Juliana. Stacy não chega junto, mas faz chegarem. Ela não liga muito para o que os outros vão pensar. Ela se arrisca é adrenalina pura nas veias e coração a mil.

Ela com certeza não é um lado que eu nunca quis mostra. Ela sempre esteve aqui com a pacata Juliana, sempre sendo o que a pacífica Juliana queria ser no fim das contas.

Stacy assumiu pela primeira vez seu posto em 2005, era um ano meio trágico. Fim de um relacionamento que nunca existiu de verdade, uma mentira. Magoa e dor eram tudo que sobrava, ela então restaurou tudo. Juntou cada caquinho de um coração partido e colou com super bonder. E fez questão de em volta desse coração trouxa colocar uma espessa camada de gelo. Gelo queima, mas tira a dor.

Com o tempo eu – Juliana – me recuperei, chorei muito, rasguei fotos e cartas. Joguei tudo em um prato fundo e coloquei fogo. As cinzas? Joguei no vento, que ele levasse elas pra bem longe. O tempo passou rápido, outros apareceram e Stacy sempre teve ali, firme e forte.

Porém, em um tempo perdido no espaço, ela bobeou e deixou alguém chegar perto do dele. Mas ele já estava bem curado, super colado e devidamente protegido com o gelo. Confesso que esse foi o único que chegou perto demais. Quase conseguiu quebrar essa barreira, mas Stacy voltou. Com certeza voltou na hora certa, ela gostava do jogo que começando a ser criado, até sair do seu controle. Depois de muitas idas e vindas ela o expulsou com todas as suas forças.

Com isso a adrenalina que corria em minhas veias voltou. Voltei a me sentir viva, as novidades voltaram. Cabelo, roupas, atitudes e muita vontade de viver no limite. Recusar esse meu segundo “lado” já não era a melhor opção no passado agora então, menos ainda. Com aquele “carinha” na mão? Com aquele cabelo lindo? E com roupas que nunca pensei em usar? Nunca, se vai os anéis, mas ficam-se os dedos, certo? Que se vá então um passado de jogatina, mas que fique Stacy. Ela já é parte da Juliana pacata, ela é o que faltava pra ficar melhor. Oras, quem sou eu pra viver sem novidade? Sou um número novo, lembra? Preciso me movimenta. E Stacy sabe fazer isso, e muito bem.

a_morte_de_nana_tumulo_021“O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito….”

O Interesse dele de se relacionar com ela havia voltado.  A vontade era de mexer com seus sentidos dela de novo. Pouco se importava se era mais uma uma brincadeira para ele. Se divertia jogando com ela, pois sabia que era tão bom quanto ela nesse jogo, se bobear melhor.

Sua vida estava resolvida, estava namorando isso só provava que ele não corria risco de se machucar nessa longa historia que de novo voltava das cinzas. Toda vez era a mesma coisa, um mês, dois, três pouco importava alguém ia procurar contato. E dessa vez cabia a ele dar o braço a torcer, braço esse que ele doava para torção com gosto. E lá estava ele para uma conversa sem vontade, sem perguntas longas, nem papos entusiasmados. Mas pelo menos ele estava mostrando que estava ali, vivo e com vontade de jogo.

“Olhando pras ondas… Dizendo baixinho: Morreu, morreu, morreu….”

Quarta-feira para ela era o pior dia. Odiava ficar em casa sem ter o que fazer e justo nas quartas ficava. O tempo parecia não passar, foi então que ela olhou para o relógio e como em um passe de mágica a janela do msn com o nome dele piscou. Seu coração disparou pensou duas, três, quatro, cinco vezes até clicar nela. Oi, dizia ele depois de mais de três meses sem a procurar.

Com um ar de medo ela respondeu. Os minutos passavam rápido e a janela não piscava de novo: “foi engano” pensou ela. Então após o termino de uma piscada de olhos rápida a janela acendeu de novo. O papo não foi o melhor que tiveram, mas também não foi ruim. Aquela intimidade que os dois tinham havia sumido. À vontade de chamá-lo de ridículo foi forte, mas se conteve. Ela sabia muito bem qual era o jogo dele, queria somente mostrar sinal de vida. Mostra que estava ali e lembrar ela o quanto eles gostavam daquele jogo.

A tarde passou e com ela outras revelações chegaram. A duvida virou realidade, sim ele tinha outra. O tempo então voltou para o seu estado normal, nada mais corria, nada mais pulava. A não ser a raiva de perceber o quanto ele queria mexer com ela. Porém, ele não sabia que havia mexido do jeito errado. Seu tiro havia saído pela culatra, já que para ela ele “morreu, morreu, morreu” como dia àquela música. Aquela quarta-feira com certeza ficara marcada, pois foi no dia em que o fim do jogo ocorreu.

Música:  Dorival Caymmi – O Mar

Goodbye, my ghost!


Quando estamos com raiva, geralmente não conseguimos evitar e explodimos, porém, quando estamos chateados, nos calamos. Muitas vezes sem nem perceber. E é assim que estou vivendo hoje, calada.

Não que isso seja algo bom, mas sinceramente? Vou falar o que? Pra quem? Porque? A vida é assim, cheia de altos e baixos, um dia você acaba caindo. E quando a queda é rápida, digamos que é melhor.

Estou calada por opção. A raiva ainda esta dentro de mim, porém, mais calma. Não cheguei a sentir dor na hora do ocorrido, mas antes dele nem alegria senti. Parecia que eu sabia, parecia não, eu sabia. Com certeza, há muito tempo, eu já sabia. Acho que nasci sabendo, nasci com isso traçado.

Há certas coisas na vida que não podemos fugir. Já escrevi rancores aqui, como já escrevi coisas lindas. Hoje, escrevo a minha indiferença e silêncio. Um dia isso passa…. e esse dia já está marcado. Somente esse fim de semana me permitirei a calar-me. Segunda-feira uma nova Juliana chegará, e essa sim, será a protagonista da sua própria história. Juliana essa que carregará cabelos novos, atitudes novas, sorrisos novos e a cima de tudo…. sonhos novos.

Prazer, eu sou Juliana Brião e estou começando uma vida nova, agora….

Solidão

O tempo passou, e por vários motivos ela o deixou ir. Não queria ser mais a sua sombra, ou a mulher que estava sempre ao seu lado, mas que nunca era vista. Suas traições, ela sabia desde o começo, conhecia-o bem. Os perfumes baratos de suas amantes ficavam impregnados nas suas roupas. Suas camisas brancas sempre voltavam com algumas marcas de maquiagem.

Nesse momento o que ela sentia era revolta e dor. Como pode se enganar tanto com esse homem, como pode acreditar que ele sentia quando ela ia embora, ora… ele apenas a queria por perto para não precisa se virar só. Ele a usava em tudo, desde sua empregada até como sua prostituta, era cômodo para ele, não precisava desembolsa nada. Por isso sempre corria atrás dela quando sentia que estava perdendo-a.

Sua vontade de vomitar era grande, em quando deixava aquele escritório imundo. O centro das traições dele era ali. Ela conseguia ver as cenas, sem mesmo nunca ter presenciado nada. O cheiro daquele lugar, a voz dele que a gritava, tudo lhe fazia enjoar mais. Ela sabia o quanto não seria fácil correr dessa vez, ainda mais sabendo como ele agiria nos próximos dias, mas não poderia se render novamente.

Os meses se passaram, depois daquele dia fatídico. E ele fez o seu papel de homem arrependido, correu atrás, mandou flores, lhe deu um carro, jóias. Mas no fundo sabia o quanto aquilo tudo não a traria de volta. Conhecia a mulher que tinha nas mãos, e se arrependia amargamente em ser um cachorro. Isso que por anos ele se gabou em ser. Só ele e Deus sabiam o quanto estava arrependido. Por meses a fio ele andou atrás dela, procurou por seu rosto em todas as mulheres que via. Mas era inútil, sua procura o fez cansa, lhe fez então se adapta a vida sem ela. Sem aquela que por muito tempo tratou mal.

Ela desaparecera do país, não queria mais correr o risco de virar uma esquina e da de cara com o homem que a fez sofrer por anos. Porém, não conseguia esquece-lo mesmo que quisesse, ele estava impregnado em sua alma e em forma de gente a sua frente. Era incrível como sua vida iria giraria em torno das lembranças dele, para sempre. Mas ela teria que ser forte, já que agora não estava mais sozinha. Mesmo negando, sabia que algum dia teria que volta a encarar o homem por quem ainda era apaixonada. Mas o que lhe deixava mais tranqüila era a certeza de que aquilo não ocorreria tão cedo.

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